terça-feira, 3 de outubro de 2017

Reuniões clínicas da Ginecologia em Outubro de 2017

Reuniões Clínicas Científicas 

Anfiteatro Berilo Langer  ICHC  5o. andar  
Rosanne M Kho, MD


Dia 18  REUNIÃO INTERNACIONAL

07h30-08h15
Residentes e internos

08h30-10h00
Conferência: Advancing vaginal hysterectomy with surgical innovation
Palestrante: Dr. Rosanne Kho

10h30-12h00
Curso residentes

Dia 25
07h30-08h15
Residentes e internos
08h30-10h00
Conferência: Dificuldades de uma vida acadêmica”.
Palestrante: Prof. Dr. Bernardo Boris Vargaftig (Professor Associado Sênior do ICB).
10h30-12h00

Curso residentes




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Dia 04
07h30-08h15       Residentes e internos
08h30-10h00  Conferência: Alterações citológicas: como interpretar e conduzir
Palestrante: Dra. Adriana Bittencourt Campaner
10h30-12h00       Curso residentes

Dia 11
07h30-08h15       Residentes e internos
08h30-10h00  Conferência: Tratamento cirúrgico atual do prolapso genital
Palestrantes: Dr. Jorge Milhem Haddad

10h30-12h00       Curso residentes

terça-feira, 19 de setembro de 2017

MIOMA E FITOTERAPIA


Há tratamento fitoterápico para miomas uterinos?

Ceci Mendes Carvalho Lopes*
           
Um número muito grande de mulheres é de portadoras de miomas uterinos, algo como um quinto delas! Porém a maioria dos casos nem pede tratamento, pois são de pequena monta, não causam sintomas e, com alguma frequência, são descobertos por casualidade. No entanto, um certo contingente deles exige alguma intervenção. Às vezes, medicamentos dão conta, pois basta tratar os sintomas desagradáveis associados à presença desses tumores benignos. Por outro lado, outros exigem tratamento cirúrgico, que pode, inclusive, ser radical. Cada caso é diferente do outro.
Muitas vezes somos procurados por pacientes que já souberam da possibilidade de tratamento ‘natural’, por ouvir falar, ou porque viram na mídia. Faz-se mister ‘separar o joio do trigo’ e checar o que é fato e o que é mera crendice.
Tratando sintomas mais incômodos, geralmente, como já dissemos, não há necessidade de intervenções mais agressivas. Assim, solucionando a dor (é comum a associação com fortes cólicas menstruais), ou o sangramento excessivo (que pode comprometer seriamente a saúde), em muitos casos é o bastante, uma vez que o mioma é um tumor benigno, cuja expectativa é que permaneça benigno.
As principais preocupações são o sangramento, a anemia e, quando possível, a redução tumoral: tópicos a serem levados em conta.
            Como a cólica menstrual tem sido associada à liberação de prostaglandina e vasopressina, causando contratura miometrial, isquemia uterina, com conseqüente sensibilização das fibras sensitivas, é possível tratamento com analgésicos, ou, ainda melhor, com antiinflamatórios não-esteroidais e contraceptivos hormonais1. Resolve-se, assim, a dor e regulariza-se a perda sanguínea.
Mas há vários fitoterápicos úteis na sua terapêutica, com resultados variados.

1-Ácidos graxos essenciais
            Por atuar deflagrando a cascata das prostaglandinas, as gorduras Omega-6 podem desencadear a cólica. Considerando que a dieta pode ser rica em Omega-6,  recomenda-se aumento da ingestão de omega-3 (presentes em peixes e nozes), a fim de que a relação omega-3/omega-6 seja mais favorável. Além disso, a ingestão de vitamina B12 (7µg ao dia) potencializa o efeito dos omega-3. Essa medida pode favorecer a diminuição do uso de analgésicos e anti-inflamatórios3.     
Estudo realizado com 42 mulheres utilizando óleo de peixe mostrou-se efetivo na redução da dor menstrual. As autoras consideram que a dosagem usual de omega-3, de 3 a 4g por dia é bem tolerada e segura. Aconselham seu uso, embora reconheçam a necessidade de mais estudos4. O estudo foi feito com óleo de peixe, por ser rico em Omega-3, mas a ingestão de sementes oleaginosas é uma opção.

Revisão de vários estudos controlados por placebo atesta a eficácia dos omega-3 no tratamento da cólica menstrual, porque o ácido eicosapentanóico (EPA) e o docosaexanoico (DHA) competem com o ácido araquidônico, interferindo na cascata, o que vai resultar em menor produção de prostaglandinas e leucotrienos, resultando, em conseqüência, sintomas de menor intensidade. Dados epidemiológicos  demonstram que a baixa ingestão de alimentos ricos em omega-3 eleva a possibilidade de cólica menstrual.  Não mencionando fitoterápicos, os autores recomendam a ingestão de peixe, em vez de óleo de peixe, porque a estabilidade do óleo varia muito no correr dos dias5. No mercado existem cápsulas de óleo de peixe, que não são fitomedicamentos, por não terem origem vegetal. Não há produtos padronizados de origem vegetal, que sejam fonte de Omega-3, portanto recomenda-se a adequada providência alimentar, se o objetivo for tratar com produtos vegetais: linhaça, castanha do Pará, amêndoas, etc.

2- Rosa

Em vários países asiáticos é comum o uso do chá de rosa, feito com botões da flor, ou com folhas dela (Rosa gallica), como tratamento da cólica menstrual. Foi feita uma revisão bibliográfica, buscando informações sobre a rosa, e foi encontrado um único estudo controlado, realizado em Taiwan, com 130 pacientes adolescentes às quais foi administrado o chá (2 xícaras ao dia, por 12 dias), com eficácia5.

É importante ressaltar, portanto, a escassez de referências, além do que, habitualmente a flor, salvo as dos nossos jardins, costuma ser encontrada em floriculturas, e seu cultivo pode incluir aditivos agrícolas, desconhecidos do público comum, com possíveis efeitos sobre a saúde. E também faz-se mister cosiderar que há muitos tipos de rosa, além da estudada, e sempre existe a possibilidade de que atuem de forma muito diferente. Além disso, não há fitomedicamento disponível. 
           

3-Harpagophyton procumbens (garra do diabo)



Esta é uma das 12 plantas liberadas pelo Ministério da Saúde para uso no SUS. É um poderoso antiinflamatório, e atua de forma bem similar aos antiinflamatórios não-hormonais, reduzindo a inibição da síntese de leucotrienos e de tromboxano, dose-dependente, atribuindo-se essa ação ao harpagosíde6. Se estamos imaginando utilizá-lo no tratamento da cólica menstrual, parece paradoxal, pois  em monografia cita-se seu uso como ocitócico, sem, no entanto entrar em detalhes. Ressalta-se sua atividade anti-inflamatória e analgésica. O que se menciona é ação estimulante da musculatura miometrial, e se recomenda não utilizar durante a gestação. Confirma-se esse efeito, através de estudo, em ratas, em que se comprovou propriedade uterotônica, espasmogênica, justificando, assim, o uso folclórico no trabalho de parto e na retenção placentária8. Não encontramos estudos especificamente sobre a cólica menstrual. Parece fazer mais sentido, por ser ocitócico, seu uso no tratamento do sangramento profuso, em casos de miomas. Mas também não há referências, no caso.
            


4-Lotus-da-neve



           Tibetanos usam o lótus-da-neve (snow lotus), que, na realidade corresponde a qualquer uma de 3 plantas semelhantes (Saussurea involucrata, Saussurea laniceps, Saussurea medusa), para problemas reumáticos, gastrites e dismenorréia. Estudo em camundongos, demonstrando efetividade nas 3 plantas, porém nitidamente melhor com S. laniceps9. Na medida que seu uso é indicado para dismenorréia, talvez seja útil no controle doloroso menstrual em portadoras de miomas. Só que não é um produto usualmente disponível em nosso meio, embora possa ser encontrado pela internet (sem referências confiáveis).
 Entre os uigures, tibetanos, habitantes da cadeia do Himalaia, é difundido o uso do lótus-da-neve (snow lotus), que, na realidade corresponde a qualquer uma de 3 plantas semelhantes (Saussurea involucrata, Saussurea laniceps, Saussurea medusa). Seu uso é indicado para problemas reumáticos, gastrites e dismenorréia. Para avaliar seu efeito, foi realizado estudo em camundongos, demonstrando efetividade nas 3 plantas, porém nitidamente melhor com S. laniceps9. Na medida que seu uso é indicado para dismenorréia, talvez seja útil no controle doloroso menstrual em portadoras de miomas. De qualquer modo, não é um produto correntemente utilizado entre os ocidentais, e as referências são muito escassas.
Há produto comercial disponível em sites da internet, mas sem referência farmacológica.
5-Combinações herbáceas
            Medicações que incluem várias plantas são comuns em alguns países, especialmente os asiáticos.
Muito utilizado na Coreia e China, há uma formulação muito tradicional denominada Gyejibongneyong-hwan, ou Ghizhi Fulling formula, com cinco componentes, em proporções iguais (Cynnamomi ramulus, Poria, Moutan cortex, Persicae semen, Peoniae radix). Autores coreanos o estão estudando, mas ainda não dispomos dos resultados 10, 11 .
            No Japão, utiliza-se uma mistura herbácea denominada toki-sakuyaku-san, contendo 6 plantas (Angelica sinensis, raízes, Paeonia lactiflora, raízes, Lingusticum, rizoma, Atractiloides, rizoma, Alismatis, rizoma, Sclerotia poria), mas que podem ser utilizadas em proporções diferentes, e não há padronização. Pertence ao arsenal da Medicina Kampo (geralmente exercida por não-médicos), tradicional no Japão, e usada para tratamento de cólica menstrual e sintomas climatéricos, com boa efetividade. Há estudo que demonstra melhora de dismenorréia, hipermenorréia, tonturas, sensação de frio, cefaléia12. Portanto, talvez se aplique ao objetivo de tratamento que procuramos.

            Relata-se que curandeiros dominicanos recomendam preparado de beterraba (Beta vulgaris L, Chenopodiaceae) e melaço (produzido a partir de Saccarum officinarum, a cana de açúcar) como tratamento para os miomas, como também para endometriose, menorragia e calores da menopausa. A quantidade de fibras vegetais contidas na beterraba pode afetar, ao menos teoricamente, os níveis estrogênicos, pois altos níveis de fibras reduzem a recirculação enteroepática de estrogênios, aumentando a excreção urinária e fecal. Como os estrogênios influem sobre o crescimento dos miomas, a sua redução seria um fator inibidor. Além disso, as folhas de beterraba contêm fitoestrogênios que, durante a menacma, atuam como antiestrogênios, e já foi demonstrado que gado alimentado com essas folhas apresentou infertilidade (por ser antiestrogênica), mas também se demonstrou crescimento do volume uterino em camundongas (atuação estrogênica). A beterraba é rica em carotenóides, que também se sabe podem reduzir o crescimento de miomas, uma vez que se demonstrou em culturas de tecidos que as células do músculo liso contêm receptores do ácido retinóico, e que há redução dose-dependente de seu crescimento com ácido trans-retinóico. Relata-se ainda que a coloração da urina após ingestão dessa raiz é mais comum em pacientes anêmicos, e que a coloração diminui com a suplementação de ferro, sugerindo que possa ser usado esse dado, inclusive, como indicador da redução da deficiência em ferro de pacientes tratados. Como os miomas podem causar anemia ferropriva, em função do sangramento genital, essa seria mais uma aplicação do tubérculo, especialmente se associada ao melaço, rico em ferro. Apesar de inexistirem estudos clínicos que confirmem o benefício desse tratamento popular, ele merece ser considerado e, como tal, estudado13. Em nosso meio, também não é incomum encontrarmos referências populares quanto a esse uso da beterraba.


C- Plantas citadas especificamente para tratamento dos miomas

1- Unha de gato (Uncaria tomentosa)



   Essa planta tem uso popular no tratamento de miomas na região amazônica. Não há referências científicas a respeito. Muitas são as menções a ela na mídia eletrônica14. Por outro lado, seu efeito antiinflamatório é conhecido e reportado, e se trata de uma das doze espécies liberadas para uso no SUS; além disso, existem fitomedicamentos que a contêm. Assim, eventualmente a sua fama como útil no tratamento de miomas poderia ser focada nesse aspecto, apenas minorando o quadro doloroso, e talvez valesse a pena utilizá-la como recurso terapêutico, pela sua disponibilidade. Pela sua atividade antiinflamatória, talvez tenha boa aplicação para diminuir a cólica menstrual, mas também não há menção em literatura.
Autores da UNIFESP estudaram, em ratos, sua ação, visando a endometriose. Essa doença tem em comum com os miomas o fato de se desenvolver na dependência da atividade hormonal. Administraram extrato da planta, ou acetato de leuprolide (antagonista do GnRH), ou placebo, a ratas. Observaram que o extrato levou a anovulação equivalente (quiçá superior) ao leuprolide, demonstrando a supressão da atividade ovariana15.  Esse estudo nos aguça a curiosidade sobre a possível eficácia na redução volumétrica dos miomas, que também se obtém com antagonistas do GnRH, que é um tratamento que, se não faz os tumores desaparecerem, ao menos propicia, por causarem sua diminuição, maior facilidade num posterior tratamento cirúrgico.


2-uxi amarelo (Endopleura uchi Cuatrec)
            

A referência ao uso dessa planta amazônica é basicamente popular, e existem chás disponíveis à venda. É uma planta característica da Amazônia brasileira, e é conhecida por vários nomes, como uxi, uxi amarelo, cumatê, axuá, pururu, uxi-ordinário ou uxi-pucu. É disseminado seu uso folclórico para tratar artrite, colesterol, diabete, diarreia, e como antiinflamatório e inclusive como anticancerígeno16.
Quanto aos miomas, o tratamento é de utilizar o chá, diariamente, geralmente no período da manhã, alternando com chá de unha de gato à tarde, ou vice-versa.
 A literatura é escassa. Os constituintes de sua casca, potencialmente terapêuticos, são predominantemente taninos, cumarínicos e saponinas. Foram analisados os efeitos dos taninos: atividade antioxidante, ausência de citotoxicicidade, baixo efeito antimicrobiano. Seu uso é bastante seguro. Há boa perspectiva, em se fazendo novos estudos, como possível antineoplasico 16.
O arabinogalactano encontrado no seu chá, na concentração de 25 a 500mg/ml, inibiu aproximadamente 20% das células HeLa, em 48 a 72 horas, porém sem efeito dose-dependente. E também, na dose de 100mg/ml reduziu em 25% a proliferação celular. Não parece haver influência do arabinogalactano, devendo estar envolvidos outros mecanismos, na inibição celular17.
Os estudos demonstram a boa potencialidade medicamentosa do uxi, mas em nenhum deles há menção à possível atuação sobre os miomas, embora todos mencionem esse uso de cunho tradicional.
Miscelânea
Reunimos neste tópico informações não tão precisas, ou seja, que demandam mais estudos, porém que indicam possibilidades na terapêutica.
1-    Medicina chinesa
Foi realizada revisão de múltiplos estudos duplo-cegos, abrangendo um total de 3475 mulheres. Os autores avaliaram em especial o controle da dismenorréia, comparando com os tratamentos convencionais, como antiinflamatórios não-hormonais, ou contraceptivos, e concluíram que os diferentes produtos herbáceos abrangidos na medicina chinesa são efetivos, inclusive às vezes melhores até que a acupuntura, porém a qualidade da maioria dos estudos deixa a desejar. Não foram mencionados efeitos adversos significativos1.
Grupo de pesquisadores chineses pesquisou, em ratos, o efeito de fórmula tradicionalmente utilizada em medicina chinesa (já a mencionamos como tratamento de dismenorréia), a Guizhi Fuling, demonstrando redução acentuada do útero, diminuição da proliferação celular miometral, decréscimo de estradiol e de progesterona séricos. O efeito foi dose-dependente18.
Autores de Taiwan pesquisaram em um milhão de prontuários aqueles que se referiam a mulheres portadoras de mioma, chegando a cerca de 46mil casos, dos quais selecionaram aqueles atendidos entre 2002 e 2010 (37.786 casos). Entre esses, 31.161 mulheres utilizavam a medicina chinesa tradicional, e as demais eram tratadas pela medicina ocidental. As técnicas chinesas abrangiam acupuntura, moxabustão e outras. Cerca de dois quintos delas foram tratadas com medicamentos herbáceos. Foram identificadas 5 fórmulas que tinham várias ervas, e 5 ervas utilizadas exclusivamente. As fórmulas foram Ghi-zhi-fu-ling-wan, a Guizi fulling, (Cinnamomi ramulus, Poria, Peoniae radix, Moutan cortex, Persicae semen), Jia-wei-xiao-yao-san (Angelicae sinensis radix, Peoniae radix, Atractylodis macrocephalae rhizoma, Bupleuri radix, Moutan córtex, Gardeniae fructus, Glycirrhizae radix preparata, Menthae haplocalycis herba, Zingiberis rhizoma), Dang-gui-shao-yao-san (Angelicae sinensis rdix, Peoniae radix, Poria, Atractylodis macrocephalae rhizoma, Alismatis rhizoma, Chuanxiong rhizoma), San-zhong-kui-jian-tang (Eckloniae thalus, Phellodendri cortex, Anemarrhenae rhizoma, Trichosanthis radix, Platycodiradix, Sparganii rhizoma, Curcumae rhizoma, Gentianae radix, Coptidis rhizoma, Scutellariae radix, Puerariae radixPeoniae radix Alba). Os autores atribuem ação metabólica redutora de estrogênio, ou inibidora de prostaglandinas, antiproliferativa, e outras, que explicariam a redução dos miomas, e também a ação que muitas dessas fórmulas têm sobre a endometriose19. No entanto, como se associam muitas plantas, é muito difícil definir qual delas produz o efeito, nem qual das associações delas, nem se alguma delas tem até efeito antagônico. No mesmo estudo, foram identificadas 5 plantas utilizadas isoladamente: San-leng (rhizoma Sparganii), com a qual se descreveu supressão da proliferação celular e aumento da apoptose, E-zhu (rhizoma Curcumae), inibindo a proliferação celular, Xiang-fu (rhizoma Cyperi), com atividade antioxidante e inibição de radicais livres, Yi-mu-cao (herba Leonuri), da qual se descreve atividade antioxidante, analgésica, vasodilatadora e sedativa, Yan-hu-suo (rhizoma Corydalis), analgésica. Com todos esses produtos, ervas únicas ou combinadas, descreveu-se algum efeito, sendo a mais utilizada a fórmula citada acima em primeiro lugar, a Ghizi fulling19.
      O uso dos medicamentos da medicina tradicional chinesa, de forma indireta, demonstram sua eficácia, pois as pacientes  que os utilizam precisam de muito menos apoio de agentes terapêuticos utilizados na medicina ocidental, conforme estudo realizado em Taiwan. Isso inclui antianêmicos, hemostáticos e drogas de influência sobre os hormônios. Os autores do estudo concluem pelo benefício, abrangendo, como vantagem, mais baixo custo20.
2-    Plantas utilizadas por imigrantes dominicanos nos Estados Unidos
Foi feito um levantamento procurando verificar sobre que plantas havia estudos e quais eram mencionadas entre curandeiros usualmente consultados por imigrantes dominicanas radicadas em New York, Estados Unidos, para alívio de várias condições relacionadas, tais como miomas, menorragia, endometriose e calores da menopausa. Foram anotadas ainda outras aplicações, descritas nos estudos, como emenagogos (reguladores menstruais) e abortifacientes (e, muitas vezes, estas duas aplicações significavam o mesmo). Como muitas plantas não são fáceis de obter nos centros urbanos, e mesmo em alguns lugares na própria República Dominicana, esses curandeiros muitas vezes acabam adaptando suas prescrições às disponibilidades, incluindo, até, em algumas circunstâncias, plantas não-nativas da região caribenha, européias e africanas. Foram relacionadas 87 plantas, dentre as quais algumas se destacaram. Espécies de Agave foram mencionadas no tratamento de miomas uterinos, cólica menstrual e regulação menstrual. Aloe vera também foi referida como adequada para remover miomas e ‘limpar o corpo’, com sugestão de que regule a quantidade menstrual, e também como abortivo. Já mencionamos acima a beterraba. Dezenove plantas eram de uso corrente em New York, e foram citadas especificamente no tratamento de miomas, 6 delas sendo consideradas adequadas para tratar menorragia também. Os autores consideram que, embora todas tenham algum tipo de estudo, ao menos na literatura local, há necessidade de mais investigação21.

Considerações finais
            A fitoterapia é um campo em que a necessidade de mais investigação é enorme. Como pudemos ver, há muitos recursos com possíveis aplicações no tratamento de miomas. Não esgotamos o tema, pois há muitas menções, às vezes, até, ‘escondidas’ em textos que se referem a outro assunto. No entanto, mesmo os que parecem mais eficazes carecem de embasamento. Assim, parece ser um campo muito promissor, porque inclusive pode permitir, em alguns casos, até mesmo economia, pois muitas das opções são acessíveis facilmente. Só depende do empenho em investir na pesquisa.

Referências bibliográficas
1-- Zhu X, Proctor M, Bensoussan A, Wu E, Smith CA- Chinese herbal medicine for primary dysmenorrhoea. Cochrane Database of Systematic Reviews 2008 Issue 2. Art No.: CD005288 DOI: 10.1002/14651858.pub3
2- Proctor M, Farquar C- Dysmenorrhoea. Clin Evid  2002; 7: 1639-53
3- Saldeen P, Saldeen T- Women and omega-3 fatty acids. Obstetrical and Gynecological Survey 2004; 59(10): 722-30
4- Lloid KB, Hornsby LB- Complementary and alternative medications for women’s health issues. Nutr Clin Pract 2009; 24: 589-608
5- Zoorob RJ, Sidani M, Williams J, Grief SN- Women’s health: selected topic. Prim Care Clin Office Pract 2010; 37: 367-87
6- Loew D, Möllerfeld J, Schrödter A, Puttkammer S, Kaszkin M. -Investigations on the pharmacokinetic properties of Harpagophytum extracts and their effects on eicosanoid biosynthesis in vitro and ex vivo. Clin Pharmacol Ther. 2001 May;69(5):356-64.
7- Sem autor mencionado. Harpagophyton procumbens (Devil’s claw). Monograph.  Alt Med Rev 2008; 13(3): 248-52
8- Mahomed IM, Ojewole JAO- Uterotonic effect of Harpagophyton procumbens DC (Pedaliaceae) secondary root aqueous extract on rat isolated uterine horns. J Smooth Muscle Res 2009; 45(5): 231-9
9- Yi T, Zhao ZZ, Yu ZL, Chen HB- Comparison of the anti-inflamatory and anti-nociceptive effects of three medicinal plants known as “Snow lotus” tradicional Uigur and Tibetan medicines. 2010; 128(2): 405-11
10- Jung J, Lee JA, Ko MM, You S, Lee E, Choi J, Kang BK, Lee MS- Gyejibongneyoung-hwan, a herbal medicine for the teratment of dysmenorrhoea with uterine fibroids: a protocol for a randomised controlled Trial. BMJ Open. 2016; 6(11): e013440.
11- Jung J, Lee JA, Ko MM, You S, Lee E, Choi J, Kang BK, Lee MS- Gyejibongneyoung-hwan, a herbal medicine for the teratment of dysmenorrhoea with uterine fibroids: a protocol for a randomised controlled Trial. BMJ Open. 2016; 6(11): e013440.
12- Akase T, Akase T, Onodera S, Jobo T, Matsushita R, Kaneko M, Tashiro S- A comparative study of the usefulness of Toki-shakuyaku-san and an oral iron preparation in the treatment of hypochromic anemia in cases of uterine myoma. Yakugaku Zasshi 2003; 123(9): 817-24
13- Fugh-Berman A, Balick MJ, Kronenberg F, Osoki AL, O´Connor B, Reiff M, Roble M, Lohr P, Brosi BJ, Lee R- Letter to the editor. J Ethnopharmacol 2004; 92: 337-9
14-www.beneficiosnaturais.com.br  Chás para tratar miomas.
15- Nogueira Neto J, Cavalcante FLLP, Carvalho RAF, Rodrigues TGPM, Xavier MS, Furtado PGR, Schor E- Contraceptive effect of Uncaria tomentosa (cat’s claw) in rats with experimental endometriosis. Acta Cir Bras 2011; 26(suppl 2): 15-9
16- Politi FAZ, Melo JCP, Migliato KF, Nepomuceno ALA, Moreira RRD, Pietro RCLR. Antimicrobial, cytotoxic and antioxidant activitoes and determination of the total tannin contento f bark extracts Endopleura uchi. Int J Mol Sci 2011; 12(4): 2757-68
17-Bento JF, Noleto GR, Petkowicz CLO- Isolation of na arabinogalactan from Endopleura uchi bark decoction and its effect on HeLa cell.Carbohydrate Polymers 2014;101:871-7
18-Heng QQ, Cao L, Ding G, Wang ZZ, Xiao W- Effect of Guizhi Fuling capsule and combination of active ingredients with uterine myoma. Zhongguo Zhong Yao Za Zhi 2015; 40(11): 220609
19-Yen HR, Chen YY, Huang TP, Chang TT, Tsao JY, Chen BC, Sun MF- Prescription patterns of Chinese herbal products for patients with uterine fibroid im Taiwan: a Nationwide population-based study. J Ethnopharmacol 2015; 171: 223-30
20- Su SY, Muo CH, Morisky DE- Use of Chinese medicine correlates negatively with the consumption of conventional medicine and medical cost in patients with uterine fibroids: a population-based retrospective cohort study in Taiwan. BMC Complement Altern Med 2015; 15:129
21-Ososki A, Lohr P, Reiff M, Balick M, Kronenberg F, Fugh-Berman A, O’Connor B- Ethnobotanical literature survey of medicinal plants in the Dominican Republic used for women’s health conditions. 2002; 79: 285-98




* Ceci Mendes Carvalho Lopes é Assistente Doutora, Especialista em Fito-Ginecologia, da Clínica Ginecológica do Hospital das Clínicas da Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo. 

quinta-feira, 14 de setembro de 2017

Gineco-endócrino 2017


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Gustavo Arantes Maciel
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PROGRAMA CIENTÍFICO FINAL

15/09/2017 SEXTA-FEIRA
HORÁRIO 07:30 - 08:00 Secretaria 08:00 - 08:10 Abertura

clique aqui para ver todo o programa

segunda-feira, 4 de setembro de 2017

Reuniões da Clínica Ginecológica

Onde - Anfiteatro Berilo Langer  ICHC  5o. andar

Dia 06
07h30-08h15      Residentes e internos
08h30-10h00      Conferência: Como diminuir a morbidade do tratamento do câncer do colo do útero
Palestrante: Prof. Dr. Jesus Paula Carvalho
10h30-12h00      Curso residentes

Dia 13
07h30-08h15      Residentes e internos
08h30-10h00      Conferência: Como lidar com as disfunções sexuais no atendimento em ginecologia geral
Palestrantes: Elsa Ainda Gay
10h30-12h00      Curso residentes

Dia 20
07h30-08h15      Residentes e internos
08h30-10h00      Conferência: Anomalias müllerianas
Palestrante: José Alcione Macedo Almeida/Roberto Blasbaung/Sérgio Conti Ribeiro
10h30-12h00      Curso residentes

Dia 27
07h30-08h15      Residentes e internos
08h30-10h00      Conferência: Quando liberar a gravidez após câncer de mama
Palestrante: Prof. Dr. José Roberto Filassi

10h30-12h00      Curso residentes